A empresária goiana Nathália Secco, de 34 anos, foi incluída na lista das 100 Mulheres Poderosas do Agro de 2026, elaborada pela revista Forbes Brasil. Com uma trajetória que começou na música e passou por uma mudança de carreira após uma cirurgia nas cordas vocais, ela conquistou espaço no agronegócio por meio de investimentos em inovação e tecnologia.
Divulgada no dia 15 de outubro, a seleção reconhece produtoras rurais, pesquisadoras e empresárias que se destacam no setor. Além de Nathália, outras duas profissionais com atuação em Goiás foram homenageadas: a pecuarista Ana Amélia Paulino e a engenheira agrônoma Camila Colpo.
Da música ao empreendedorismo rural
Formada em Música pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Nathália começou a cantar ainda criança e lançou seu primeiro disco aos 14 anos, pela Universal Music. Aos 16, ingressou no curso de Canto Lírico da universidade.
Um problema vocal congênito, entretanto, mudou seus planos profissionais. A condição exigiu uma cirurgia e um período de reabilitação para que ela pudesse reaprender a cantar.
A aproximação com o agronegócio aconteceu depois de quatro anos de experiência na empresa dos pais. Em 2019, Nathália fundou, em Rio Verde, o Orchestra Innovation Center, apresentado como a primeira aceleradora de startups do agronegócio em Goiás.
Em 2022, ampliou a atuação com a criação da Orchestra Ventures, estruturada com um fundo de investimento de R$ 6 milhões, formado por recursos próprios, de empresas e de produtores rurais.
Tecnologia aplicada à produção agrícola
As tecnologias desenvolvidas e apoiadas pelos negócios de Nathália já alcançaram aproximadamente 200 mil hectares de lavouras de soja, milho, cana-de-açúcar e algodão.
Entre os resultados apresentados estão ganhos de produtividade e redução média de 40% nos custos com herbicidas. Os números destacam o potencial de soluções tecnológicas para melhorar a eficiência das operações agrícolas e otimizar o uso de insumos.
O trabalho também conquistou reconhecimento internacional. Em 2025, Nathália se tornou a primeira brasileira a vencer uma premiação do Global Women in Agritech, realizada na Bélgica.
Outras duas goianas na lista
A seleção da Forbes Brasil também destacou Ana Amélia Paulino, pecuarista e presidente do Sindicato Rural de Porangatu, no norte de Goiás. Ela foi a primeira mulher a assumir a presidência da entidade em seus 58 anos de história e administra uma fazenda com aproximadamente 3 mil bovinos da raça Nelore.
Outra homenageada é Camila Colpo, engenheira agrônoma e presidente do conselho de administração da Boa Safra Sementes, empresa sediada em Formosa, no Entorno do Distrito Federal.
Cofundadora da companhia, Camila participa da liderança de um negócio que faturou R$ 2,6 bilhões em 2025 e detém aproximadamente 10% do mercado nacional de sementes de soja, conforme os dados apresentados no levantamento.
Reconhecimento à liderança feminina no agro
Esta é a segunda edição da lista das 100 Mulheres Poderosas do Agro, publicada originalmente em 2021. A seleção considera fatores como capacidade de decisão, influência e impacto das profissionais no setor.
As trajetórias das três goianas mostram diferentes frentes de atuação no agronegócio: inovação tecnológica, pecuária e liderança empresarial. Em comum, as profissionais ocupam posições de destaque em um setor estratégico para a economia brasileira.





